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Galeria de Artes UEPG lança exposição do Médico e Artista Plástico Celso Setogutte nesta quarta-feira (25/08) às 19:30 horas

Nesta exposição, trazida pela primeira vez para Ponta Grossa, o artista apresenta dois conjuntos de obras em cerâmica de alta temperatura (queimadas acima de 1220°C), um deles inclusive premiado com menção honrosa no Salão Nacional de Cerâmica em 2006. Já as telas, elaboradas em sua maioria com tinta acrílica, algumas com técnica mista, são inéditas e foram pintadas exclusivamente para esta exposição. Sua poética tem relação com os abstracionismos e, formalmente, estão mais próximas ao tachismo, porém incluem também uma forte influência “Wabi-Sabi”. A estética e particularmente a cerâmica japonesa tem estreita relação com a “expressão” wabi-sabi que é de difícil senão impossível tradução literal e possui múltiplos significados relacionados ao simples, assimétrico, natural, espontâneo e despretensioso. O conceito tem forte influência do zen budismo e é sintetizado na cerimônia do chá com seus preceitos básicos, “o universo numa xícara de chá”. Na cerâmica, “as manchas e imperfeições” que surgem durante o processo de secagem e queima, conferem personalidade e estilo individual a cada peça. Suas obras refletem a beleza das coisas incompletas e imperfeitas.

Tachismo – Menos que um movimento pictórico com traços facilmente reconhecíveis, o tachismo remete a uma tendência artística que finca raízes na Europa no período após a Segunda Guerra Mundial, 1939-1945. O termo - que vem do francês tache, "mancha" - é criado pelo crítico Michel Tapié no livro Un Art Autre [Uma Arte Outra] para tentar definir o novo estilo de pintura que recusa qualquer tipo de formalização, rompendo com as técnicas e os modelos anteriores. Arte informal (no sentido de sem forma) é outra designação corrente para o tachismo, às vezes também ligado à noção de abstração lírica. A defesa da improvisação, associada ao gesto espontâneo e instintivo, permite entrever as afinidades da nova pintura com o expressionismo abstrato, assim como a inspiração no surrealismo, pela valorização do inconsciente, no dadaísmo, em função da defesa do caráter irracionalista da arte e no expressionismo, que toma a imaginação como expressão direta do espírito do artista. O uso de manchas irregulares de cores remete ainda à pintura de maturidade de Claude Monet. O pintor e poeta Jean-Michel Atlan, um dos expoentes da nova tendência pictórica, define, em 1953, o caráter do projeto tachista: "A pintura para mim não pode ser derivada de uma idéia preconcebida; a parte que cabe ao acaso (aventura) é muito importante e, de fato, é este acaso que cumpre o papel decisivo no processo de criação".

Wabi-Sabi - é um conceito que nasceu dos rituais da Cerimônia do Chá, difundido por monges zen-budistas e mestres da Cerimônia do Chá. É a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que reside nas coisas imperfeitas. É um jeito de "ver" as coisas por uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade. É ver beleza na assimetria e na rusticidade. Wabi significa a beleza modesta, a simplicidade, a harmonia. Está presente na valorização e elogio da essência de todas as coisas. É a beleza presente nas coisas aparentemente simples, rústicas e não-convencionais. Sabi contém o significado de beleza da imperfeição provocada pela ação do tempo e da natureza e também a própria impermanência. O conceito surgiu por volta do século 15, um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e, desde então, é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de Wabi Sabi: a arte da imperfeição.

Zen Budismo - O Zen-Budismo originou-se na Índia, viajou para a China no século VI, e foi inicialmente introduzido no Japão por volta de 1200. Zen enfatiza "acesso direto e intuitivo à verdade transcendental acima de qualquer concepção intelectual". Derivada de uma forma especial de disciplina chinesa denominada Ch’an (absorção ou meditação) e que incorporou outras filosofias que também entraram no Japão. Combinando o amor taoísta à natureza, o misticismo indiano e o pragmatismo confucionista, o Zen é puramente budista em sua essência, uma vez que visa ao Satori (iluminação) através de técnicas de meditação (Dhyana). O Zen é um dos mais importantes herdeiros, no Japão, da tradição budista Mahayana. Fundada como prática budista por Boddhidarma (século VI a.C.), visa à busca do “vácuo, a paz, o abissal”. A experiência Zen é transmitida de mestre a discípulo de acordo com duas escolas: sentar em meditação (zazen), resolução de koans (enigmas indecifráveis) e entrevistas periódicas com o mestre (sanzen), na escola Rinzai, e sentar ou trabalhar em meditação na escola Soto. Da compreensão de que a prática consciente de uma rotina manual tem tanto valor quanto a meditação e a prática religiosa, o Zen influenciou quase todos os aspectos do modo japonês de viver: as artes gráficas (pinturas, caligrafias, desenhos), artesanatos e esculturas, a arte de servir chá (cha-no-yu) ou da arte de conservar as plantas vivas em recipientes com água (ikebana), e as várias artes marciais (bushido). Tudo se tornou um caminho (do) para se conseguir a iluminação, mesmo as ocupações cotidianas. Embora todas as práticas exijam uma perfeição técnica, a perfeição só é alcançada quando brotada inconscientemente, transcendendo a técnica e a arte, de forma que se torne uma “arte sem arte”. Esse conceito é praticado baseado na teoria taoísta wu wei, o não agir, o esvaziar-se. Nas artes marciais o conceito de “Algo” que age, na hora certa, no lugar do próprio praticante é a fonte da mestria.
(Fonte: Itaú Cultural)


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